Vícios


Há 14 dias tenho acompanhado presencial e virtualmente a rotina de três amigos na batalha que é deixar o vício de fumar. Afora as risadas que dou com o Fernando, a serenidade que encontro no Serginho e a força que, finalmente tenho como provar para a Regina que ela tem, todo esse processo me fez pensar muito. 
É encorajador. Recebi meu convite para me juntar a eles e sei que quando a minha decisão chegar não vai me faltar apoio e experiências para compartilhar. Mas, por enquanto, existem outros vícios dos quais preciso me livrar. Lendo a carta que a Regina escreveu para o cigarro, peguei carinhosamente na mão do Nemo e fui... fui para o fundo do mar. 
No início até me incomodei um pouco. E agora? Meus amigos sem o cigarro. E nossas resenhas? E nossos encontros? E nossas mesas de bar? E o Churras??? Não me senti abandonada, mas sei que para eles tudo tem agora, literalmente, um gosto diferente. 
Eu ainda não consigo terminar esse texto sem acender um cigarro. E um vício sempre puxa outro. Um cigarro, um café... Quem disse que os círculos só existem na matemática?
E nessa circunferência cabem muito mais do que cigarros e cafés. Cabem pessoas, lugares, momentos... Cabem rotinas viciantes, longes de cômodas, longe de satisfatórias... o mal que não é físico. O pensamento que não é controlável, o encontro que não pode ser evitado, as palavras que ficam subentendidas. Tenho sofrido do vício do silêncio. 
As notícias que vem dos meus amigos me contam que, deixar alguns vícios, pode e deve ser a melhor saída. 
Mas continuo usando das drogas mais pesadas, para não admitir que meu pior vício é você.

2 comentários:

Fernando França disse...

Show de bola, Nirve, pequena grande pessoa!!!! Você será sempre bem vinda, seja para postar palavras no blog, seja para colocar aquelas palavras acolhedoras em nossos ouvidos, como você sempre faz. O vício do silêncio pode ser bom. Mas como todos, tem que ser perecível. Bjão cheio de saudade!!!

Thiago Moura disse...

:)