terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pela madrugada

No virar dos minutos, nessa corrida incessante, não sei mais dizer em que posição me encontro. Se carrego comigo o sorriso dos vencedores, vejo em seu olhar a decepcão da derrota. Meus olhos marejados não são pela emoção da vitória, nem pela dor do cançaso. Estão apenas embaçados pela névoa da madrugada que se encerra anunciando um novo dia. Ao fundo o que se pode ouvir... o chiado de um radinho de pilha tocando uma canção antiga, enquanto a brasa queima entre seus dedos.



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"...eu acho que a vida anda passando

eu acho que a vida anda
a vida anda em mim

a vida anda
e
u acho que há vida em mim

há vida em mim
acho que a vida anda passando
a vida anda passando a mão em mim..."

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Por trás da vidraça

Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo?
Ou teria sido o contrário?
Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não? Sei que o que sei é que, sem nenhuma dúvida: Sonhei que você sonhava comigo. Certo? Não, talvez não esteja nada certo. Também não era isso o que eu queria ou planejava dizer. Pelo menos, não desse jeito embaçado como uma vidraça durante a chuva. Por favor, apanhe aquele pequeno pedaço de feltro que fica sempre ali, ao lado dos discos. Agora limpe devagar a vidraça — quero dizer, o texto. Vá passando esse pedaço de feltro sobre o vidro, até ficar mais claro o que há por trás. Lago, edifício, montanha, outdoor, qualquer coisa. Certamente molhada, porque só quando chove as vidraças embaçam. Será? Não tenho certeza, mas o que quero dizer, disso estou certo, começa assim: Sonhei que você sonhava comigo. Agora penso que é também provável que — se realmente fui mesmo eu a sonhar que você sonhou comigo; e não o contrário — eu não estivesse sonhando. Nada de sono, cama, olhos fechados. É possível que eu estivesse de olhos abertos no meio da rua, não na cama; durante o dia, não à noite — quando aconteceu isso que chamo de sonho. Embora saiba que — se foi dessa forma assim, digamos, consciente — então não seria correto chamá-la de sonho, essa imagem que aconteceu —, mas de imaginação ou invento até mesmo delírio, quem sabe alucinação. Mas não, não é isso o que quero contar, O que quero contar, sei muito bem e sem nenhuma hesitação, começa assim: Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade eu queria muito. Estou piorando as coisas, preciso ser mais claro. Começando de novo, quem sabe, começando agora: Sonhei que você sonhava comigo. Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo — e era um sonho bonito, aquele —, está entendendo? Você acordava, eu não. Eu continuava sonhando, mas na continuação do meu sonho você tinha deixado de sonhar comigo. Você estava acordado, tentando adequar a imagem minha do sonho que você tinha acabado de sonhar à outra ou à soma de várias outras, que não sei se posso chamar de real, porque não foram sonhadas. Mas, se foi o contrário, então era eu, e não você, quem tentava essa adequação — nessa continuação de sonho em que ou eu ou você ou nós dois sonhamos um com o outro. Nos víamos? Quase consegui, agora. Preciso simplificar ainda mais, para começar de novo aqui: Sonhei que você sonhava comigo. Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas. Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro. Apanhe outra vez aquele pedaço de feltro: desembace, desembaço. Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim: Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto.

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O que falta perceber

Duvidei durante muito tempo das negações contidas em suas palavras. Percebi há muito tempo que era preciso afinar as cordas para entender suas vibrações.. E com total desafino com o real, às vezes simplemesmente nos deixamos enganar.. Então acertei ao apostar na sequência ininterrupta dos ponteiros...
Há sim, uma impressão de que se me utilizasse agora de suas palavras provaria um mal que não senti. Há sim, uma grandeza, mas isso não tem nada a ver com coisas hierárquicas... É como aquela conversa onde só conseguimos dizer: "se cuida".
É estranhamente bom... e simples também, mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ponto

Não me jugue insensível, mas não reparo mais me você... Crueldade? Não, distração. "Meu vício agora é voar". E ponto.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Interessa

Ney Matogrosso & Pedro Luis e a Parede

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Acende uma vela pra Deus
outra pro diabo
agradeço,
você não se interessa mais por mim
posso passear no bosque
seu lobo não vem mais atrás
agradeço,
você não se interessa mais por mim

me solta, me deixa, me larga,
tenho mais o que fazer.
não posso ficar nessa de esperar,
nem posso ficar nessa de querer.
o gato acha o rato muito interessante
a cobra acha o sapo muito interessante
agradeço,
você não se interessa mais por mim

sai de cima, deixa disso de promessa
não me prende aqui
que eu tô com pressa
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Aos trinta, à Sing, à vida e suas constantes mudanças!...
Não importa quantas vezes eu caia, sempre me levanto.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Por onde andei

Peguei a estrada... na mala alguns poucos pertences que já anunciavam que a estadia seria curta. Na mente... os mesmos questionamentos que tanto gostaria de ter deixado por aqui, aqueles que pude comprovar, vão comigo onde eu estiver. Na vontade, o desejo de quem sabe... perder-se de mim mesma.
A calmaria e a alegria de estar ali preencheram os dias, além da companhia sempre necessária dos que amo. Às vezes me sentia contagiada pela solidão trazida pela pequena cidade, de céu azul, calor intenso e bancos de praças que te covidam a reflexão. Reflexão que mantive enquanto caminhava no meu reconhecimento... do local e do que havia se instalado em mim.
O silêncio da volta, a estrada de retas sem fim cortando as já tão conhecidas montanhas de Minas, antecederam a alegria de estar em casa e a angustia de ainda estar me perguntando: por onde mesmo tenho andado?

terça-feira, 7 de julho de 2009

De tudo que posso lembrar

E de repente tudo me fez lembrar você... aquele som, melodia... música para os olhos. O seu sorriso ao me perguntar do gostar, o meu olhar quando te vi pela primeira vez, o meu primeiro toque, nossa primeira mentira e o gargalhar satisfeito por achar que porderíamos enganar os outros enquanto enganávamos a nós mesmos.
Os sacrifícios que valiam a pena, as lágrimas que caiam com motivo para fazer do prazer algo mais verdadeiro. Construções e contextos que não nos cabiam, comparações que não poderiam ter sido feitas...
Preencher essas linhas é como escrever uma história que só eu vou conhecer. O olhar que foi só meu, o seu silêncio e a sua voz, sua confiança e a sua incerteza, as palavras e murmuros que só eu entendo e o seu jeito de ser de quem quiser, mas só como você quer.
Dos telefonemas inesperados ao soar da campanhia de um jeito que só você pode tocar. Ou como talvez o seu andar apressado como quem não me vê ou como se algo à sua frente pudesse ser mais importante do que eu. Do jeito que consigo rir e olhar pra você... assim aquele que você me ensinou a ter ou que eu tive para te ter.
Aquela história que contei pra você na noite em que não conseguia dormir ou enquanto você dormia e eu pedi para o mundo parar. Na última garrafa que abri ou naquele lugar onde voltei. Nos sonhos que deixei de te contar, nas ruas que deixamos de andar, nos lugares que deixamos de frequentar, nos jogos que deixamos de jogar... nessa história que você deixou de me contar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

I`m in love...

Pra me despedir de você te coloquei de novo em minha vida. Quando tive certeza de que poderia deixar você partir desse inóspito sentimento, te resgatei pelo último fio preso à minha mão para provar que te deixarias partir sem a certeza de que um dia poderia retornar. Eu te apresentei todas as entradas que não havia revelado para que você não descobrisse que a via era de mão única... Só para ter certeza de que aquilo que não fui pra você também não te consquistaria.
E hoje o que me causa angústia não é mais a dor, mas o constatação de que não foi o meu amor nem o meu ódio que te fizeram me perceber, mas sim a minha paixão, que agora está em outro alguém.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Profundamente

"Te olho nos olhos e você reclama que te olho muito profundamente. Desculpa, tudo que vivi foi profundamente. Eu te ensinei quem sou e você foi me tirando os espaços. Entre os abraços, guarda-me apenas uma fresta. Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem. Até onde posso ir pra te resgatar? Reclama de mim como se houvesse a possibilidade de eu me inventar de novo. Desculpa se te olho profundamente, rente a pele a ponto de ver seus ancestrais nos seus traços, a ponto de ver a estrada muito antes dos teus passos. Eu não vou separar as minhas vitórias dos meus fracassos, eu não vou renunciar a mim, nenhuma parte, nenhum pedaço, do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente. Eu quero estar viva e permacer te olhando profundamente…"

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Way Back Into Love
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I've been living with a shadow overhead
I've been sleeping with a cloud above my bed
I've been lonely for so long
Trapped in the past, I just can't seem to move on

I've been hiding all my hopes and dreams away
Just in case I ever need them again someday
I've been setting aside time
To clear a little space in the corners of my mind

All I wanna do is find a way back into love
I can't make it through without a way back into love


I've been watching but the stars refuse to shine
I've been searching but I just don't see the signs
I know that it's out there
There's gotta be something for my soul somewhere

I've been looking for someone to shed some light
Not somebody just to get me through the night
I could use some direction
And I'm open to your suggestions

All I wanna do is find a way back into love
I can't make it through without a way back into love
And if I open my heart again
I guess I'm hoping you'll be there for me in the end

There are moments when I don't know if it's real
Or if anybody feels the way I feel
I need inspiration
Not just another negotiation

All I wanna do is find a way back into love
I can't make it through without a way back into love
And if I open my heart to you
I'm hoping you'll show me what to do
And if you help me to start again
You know that I'll be there for you in the end